sexta-feira, 8 de junho de 2007

evocando Camões

Evocando Camões

O poeta,
Deitado
Na sepultura rasa,
Deixou a porta aberta
Pra poder sair de casa.

Deslumbrado,
Pelas previsões do futuro,
Fechou a porta e disse:
-eu juro!

E cumpriu o juramento
Com tal arte e desvelo
Que ninguém pode esquecê-lo.

Cumpriu e fez.

Ao morrer,
Pobre e cego,
Confirmou ao dizer:
-Sou português
E não nego.

Causou espanto
A voz do poeta mudo
No seu linguajar de canto
De quem fala e canta tudo.

Dorme o vate
Sono profundo,
Ouvindo o seu idioma falado
Por toda a parte,
Nas sete partidas do mundo!


S.Paulo,8 de Junho de 2007-06-08
Vasco dos Santos

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